segunda-feira, 31 de maio de 2010

[NOTICIA] Porque é que o Sr. Nightbird não gosta de mirtilos?

Esta é a intrigante pergunta que os Albireon nos deixam com o seu mais recente trabalho. "Mr. Nightbird Hates Blueberries" foi lançado pela Old Europa Cafe, e é mais do que um simples disco - trata-se de uma história contada também pelo desfilar de artistas convidados, uma comédia dramática sobre passáros bêbados, aranhas gozonas, garrafas vazias e almas perdidas.

Um manuscrito estranho que conta a história de personagens bizarras é a base deste disco, algures num sótão perdido e escondidas por inúmeras garrafas partidas. Não se pode dizer que não seja um conceito original, para um disco gravado entre final de 2008 e início de 2010.

A nível sonoro, temos aqui emoção a rodos em forma de baladas Neofolk e alguma experimentação ambiental, tendo os Albireon partilhado o bolo de mirtilo com alguns convidados especiais: David E. Williams, Lloyd James, Sonne Hagal, Future Whirl e Die Weisse Rose prestam o seu contributo reforçando as múltiplas texturas do disco e contribuindo para a festa do Sr. Nightbird. Só falta mesmo descobrir porque é que ele não gosta de mirtilos, mas para isso nada melhor do que ouvir o disco...

O alinhamento completo é o seguinte:
  1. Sad prelude for a dead mosquito
  2. A lone house under a blooming moon with Lloyd James
  3. Mr. Nightbird hates blueberries with David E. Williams
  4. Shy spiders’ parade performed by Future Whirl
  5. Portrait of a dusty night with Sonne Hagal
  6. The spiders’ corner with Lloyd James
  7. Summer of lost souls with David E. Williams
  8. The Horsetails with Die Weisse Rose
  9. Requiem for shallow birds performed by Future Whirl
  10. Shrimpy among the stars (lullaby version) with Sonne Hagal
  11. Mr. Nightbird’s unpredictable heaven with David E. Williams
  12. Shrimpy Among The Stars with Sonne Hagal (faixa bónus)

domingo, 30 de maio de 2010

[NOTICIA] Da Rússia para o mundo

O último longa-duração de originais dos Moon Far Away datava já de 2005, tendo entretanto editado alguns lançamentos na sua Rússia natal. Mas eis que chega "Minnesang" para colocar fim a essa longa espera.

Com edição na Rússia e países pós-Soviéticos pela Shadowplay Records e no resto do mundo pela Ahnstern, este disco vem reforçar o estatuto dos Moon Far Away quer no mundo Dark Folk / Neofolk, quer também no Neoclássico ou Gótico. São uma das melhores bandas Russas, e uma das mais conhecidas além-fronteiras.

"Minnesang" é um disco moderno, enraízado na matriz sonora apanágio do colectivo Russo, mas também com elementos ritualistas e onde diferentes estilos se fundem perfeitamente. O conceito do disco revolve em redor do arquétipo feminino na arte contemporânea, incorporando também letras em Russo como demonstração do afecto às suas raízes culturais.

As duas edições (Russa e Europeia) partilham 11 faixas, sendo que a 12ª é diferente em cada uma. O alinhamento completo é o seguinte:
  1. И Свет Во Тьме Светит
  2. Олюшка
  3. Goe, And Catche
  4. Deus Amet Puellam
  5. Памятью
  6. Путешествие Королевича, часть I. Лунный Остров
  7. Путешествие Королеквич, часть II. Новый Сон
  8. Franciska
  9. Witchcraft By A Singing
  10. Мама Русь
  11. Хајте Браћо Белој Цркви
  12. Будем Жить (Edição Russa)
    Шумит, Гудит (Edição Europeia)

sábado, 29 de maio de 2010

[NOTICIA] Um compêndio de belos nomes

Pela mão da Eternal Soul Records chega-nos uma compilação bastante interessante. Sempre ingrato o tema das compilações - mais do que muitas se perderam no efeito manta de retalhos, e mais do que essas são povoadas por fillers, momentos dos quais nunca sentiremos a falta.

Felizmente este "Conpemdivm" não parece sofrer de nenhum desses males. Recheado de nomes fortes em diferentes sonoridades, oferece uma selecção cuidada de faixas dos anos 2004 a 2009.

A edição é apresentada num invólucro de cartão, com um livreto muito simples de duas páginas e um excelente grafismo. A edição é limitada a 1000 exemplares, e afigura-se uma excelente proposta para conhecer algumas boas bandas (muitas das quais já aqui abordadas mais do que uma vez).

O alinhamento completo é o seguinte:
  1. Karjalan Sissit - Haulikolla Hommat Järjestykseen
  2. Galerie Schallschutz - Electrical Nerve Gas
  3. TRIARII - Legio VI Ferrata
  4. Karjalan Sissit - Tanssit On Loppu Nyt
  5. Axon Neuron/Vagwa - Observers New Europa (Connected) (Live)
  6. Axon Neuron/Vagwa - Untitled II
  7. Karjalan Sissit - Har Du Horat Runt På Campingen?
  8. Phelios - You Cannot See the Dragons Eyes
  9. TRIARII - Victoria
  10. Brachial Palsy - Palsy
  11. Phelios - Entering Vortex
  12. TRIARII - Europa
  13. Brachial Palsy - Hell 9000
  14. TriORE - Victory Rising

sexta-feira, 28 de maio de 2010

[ANÁLISE] Brendan Perry - "Ark" [CD - 2010]

BRENDAN PERRY

Ark [CD]
Cooking Vynil

Deve ser das coisas mais ingratas para um músico, criar sob uma denominação mas ser constantemente associado a outra. Sem ter a experiência, calculo que seja algo como um misto de orgulho e estigma, mas talvez seja melhor perguntar a Brendan Perry como é que ele vive esse sentimento ao não conseguir desligar o seu trabalho a solo da sua carreira passada com os Dead Can Dance. É quase ingrato estar constantemente a referir esse passado, não fossem duas razões: é talvez uma das maiores instituições da Música das últimas décadas, e isso acontece apenas ocasionalmente na História (seria autismo não o reconhecer); e este novo disco a solo, "Ark".

Este é o trabalho em nome próprio de Brendan que mais se aproxima do seu legado com DCD (e prometo que é a última vez que falo deles nesta análise), quer a nível sonoro quer a nível conceptual / espiritual. É um disco muito alicercado nos ambientes criados pelos teclados e sintetizadores, e isso explica o sentimento global que "Ark" deixa ficar no ouvinte (quem os viu na recente passagem por Portugal pôde constatar que existem dois teclistas no alinhamento, embora um deles apenas em part-time). Sonoridades etéreas, sonhadoras, que nos transportam facilmente para um mundo diferente e que Brendan cria particularmente para apresentar a sua música. Resulta na perfeição, porque a partir do momento em que colocamos os auriculares e carregamos em play, a viagem só acaba quase 1 hora depois.

Mas não é só de ambiente que o disco vive, bem pelo contrário. A sua principal força reside nas canções, composições complexas que se baseiam na ambiência mas que lhe acrescentam uma camada de percussão extremamente sólida (como os alicerces que evitam que a sonoridade se perca no éter), elementos eléctricos e acústicos dependendo do que a música em questão peça, e algumas incursões mais eclécticas - por exemplo, nos elementos orientais, trip-hop ou electrónicos que povoam algumas passagens de várias músicas. É um disco que requer várias audições para ser absorvido, onde vamos descobrindo, camada após camada de som, detalhes deliciosos que fazem toda a diferença, e que cresce connosco a cada vez que roda no leitor. Como um vício, acabamos sempre por voltar para mais uma rodada.

Mas o melhor ficou para o fim. Se repararam, ainda não se referiu a participação particular de Brendan Perry num disco lançado com o seu nome, mas foi intencional. "Ark" seria inclusive um bom disco instrumental, mas é a voz que o transporta para um nível superior. Aquela voz inconfundível de Brendan, num timbre, colocação e - acima de tudo - carga emotiva que consegue transferir para o ouvinte, esse "pormaior" é o que distingue este disco dos demais e o coloca num patamar qualitativo muito alto. Letras incisivas, focando temas sociais prementes como a guerra (logo na abertura "Babylon" ou mais tarde em "This Boy") e a política (numa crítica fantástica em "The Bogus Man"), e deixando espaço para interpretações verdadeiramente sentidas e notáveis (como em "Wintersun", talvez um dos pontos altos do disco), virtualmente todas as faixas têm algo que nos prende a atenção de forma particular.

Brendan Perry é já um mito vivo, mas não precisa de ser "assombrado" pelo seu passado - a sua carreira a solo é mais do que impressionante, e "Ark" é um disco fantástico que merece todo o destaque e atenção que lhe deve ser dado. Arriscaria a dizer que será talvez um dos melhores trabalhos que Brendan editou, e isso - como é fácil de perceber - é algo que não se pode dizer de ânimo leve. "Ark" merece-o.

Lurker

quinta-feira, 27 de maio de 2010

[NOTICIA] Hugin e Piette juntos em disco

Pela mão da Steinklang Industries chega-nos uma proposta bastante interessante: um disco repartido por Hrossharsgrani e Dead Man's Hill, numa mistura de Marcial, Industrial, Ambiente e Electrónica de duas das mais notáveis mentes criativas do momento.

"Dead:Meat" de seu nome, este disco apresenta duas partes distintas. Na primeira, "From The Ashes", assinada por Hugin, temos cinco composições das mais complexas e maduras que Hrossharsgrani nos apresentou até ao momento, directas e incisivas. Na segunda, "Apocalyptic Reporters", assinada por Piette, temos cinco épicos monumentais, mais intensos e orientados ao formato canção do que tem sido apanágio em anteriores lançamentos.

Uma boa forma de apreciarmos música de qualidade, este lançamento é albergado numa elegante caixa A5 e a sua pouco mais de hora de música é recomendada a todos os que têm nestas sonoridades a sua preferência.

O alinhamento completo é o seguinte:
  1. Hrossharsgrani - Come My Phoenix
  2. Hrossharsgrani - Znischy Jih
  3. Hrossharsgrani - Countess Bathory
  4. Hrossharsgrani - Warriors Of The Wasteland
  5. Hrossharsgrani - Down There
  6. Dead Man's Hill - The Birth Of Death
  7. Dead Man's Hill - Mother Destruction
  8. Dead Man's Hill - And Nature Created Yellowstone
  9. Dead Man's Hill - The Dangerous Emptiness
  10. Dead Man's Hill - All Saints Day Rituals: To Baron Samedi

quarta-feira, 26 de maio de 2010

[NOTICIA] Sintra preservada para a posteridade

No dia 14 de Novembro do passado ano, Sintra foi palco de um concerto memorável - falamos dele aqui, marcamos presença, e foi uma noite que ficará para sempre na nossa memória. E pode ser agora partilhada por quem não conseguiu marcar presença fisicamente.

Apropriadamente intitulado "Sintra", é um lançamento da Tursa destinado a preservar a actuação de Tony Wakeford e Andrew King como Duo Noir. A maior parte das músicas pertencem ao catálogo dos Sol Invictus, mas temos também aqui algumas raridades que só muito esperadicamente são apreciadas ao vivo (como "Night Forever", "Death's Head" ou "Black Crusade").

O alinhamento completo é o seguinte:
  1. We Are The Dead Men (Wakeford)
  2. An English Garden (Wakeford)
  3. Edward (tradicional, arr. Wakeford/King)
  4. Eve (Wakeford)
  5. The Last Train (Wakeford)
  6. Worcester City (traditional, arr. King)
  7. Night Forever (Wakeford)
  8. Black Crusade (King)
  9. Twa Corbies (tradicional, arr. Wakeford/King)
  10. Death's Head (Wakeford)
  11. The Wild Wild Berry (tradicional, arr. King)
  12. Holy Water (Wakeford)
  13. Blackleg Miner (tradicional, arr. Wakeford)
  14. The Cruellest Month (Wakeford)
  15. Have You News Of My Boy Jack (Kipling/Bellamy, arr. King)
  16. Gethsemane (Kipling/Bellamy, arr. King)
  17. Recessional (Kipling/John Bacchus Dykes, arr. King)
  18. Down the Road Slowly (Wakeford)
  19. All Alone In Her Nirvana (Wakeford)
  20. Angels Fall (Wakeford)

terça-feira, 25 de maio de 2010

[EVENTO] Leipzig é terra de boa gente

Bem, pelo menos quem organiza um festival como o de Treffen e tem na cidade um clube como o Lagerhof, não pode ser muito mau. :)

Desta vez o pretexto é simples: boa música. Alinhado com o Solstício de Verão, no próximo dia 19 de Junho teremos a presença em palco no referido clube dos Von Thronstahl (que jogam em casa), acompanhados dos Nihil Novi Sub Sole (oriundos da Holanda) e dos Seelenlicht (do Reino Unido).

A organização é da Equinoxe, o que também garante um mínimo qualitativo, e como é habitual a noite continuará depois das actuações propriamente ditas com a habitual celebração. Marquem na agenda e marquem presença!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

[NOTICIA] Pouco não quer dizer pouca

Os Le Testament De La Lumière têm apenas dois discos no seu curriculum, o que é pouco em termos de quantidade mas não significada nada em termos de qualidade - que é o que realmente nos interessa. E como podemos ver em "Echoes Out Of Time", isso é o que não lhes falta.

Pela mão da Steinklang Records, este novo trabalho surge mais de seis anos depois da estreia, mas não se pense que foi demasiado tempo. Uma matriz sonora quase opressiva como esta demora a ser criada, e a sonoridade Dark Ambient mesclada com toques Neoclássicos e Marcial Industrial reside num equilíbrio frágil que tem que ser mantido de forma equilibrada. Uma banda sonora apropriada para esta época de obscurantismo em que vivemos.

Disponível em duas edições, a regular é apresentada numa caixa de DVD e limitada a 350 cópias, enquanto que a especial complementa essa oferta com um CDr adicional, contendo duas faixas bónus, e é limitada a 150 cópias.

O alinhamento completo é então o seguinte:
    Edição Regular
  1. Echoes Out Of Time
  2. Retaliation ...And The Gods Have Smiled
  3. Decline
  4. Marsch Der Kolonnen
  5. Moving Machines Waste Their Time In Dead Factory's - Pt. 2
  6. Fernes Licht
  7. Dome Of Skulls
  8. Späte Mitternachtsstunde
  9. Standing Stones
  10. Dolmen
  11. The Wind Tells Forgotten Times
  12. Lulloden
  13. Walking Through Desert Valleys
  14. Cold Cell
  15. Erebus
    Faixas Bónus (Edição Especial)
  1. Der Wind Hat Mir Ein Lied Erzählt
  2. Dead Comrades Stand In Line

domingo, 23 de maio de 2010

[ANÁLISE] Arditi / Signa Inferre - "Statues Of God / Invictis Victi Victuri" [10'' - 2009]

ARDITI / SIGNA INFERRE

Statues Of God / Invictis Victi Victuri [Vinil 10'']
Equilibrium Music

Um nome consagrado e uma estreia - é esta a proposta neste lançamento repartido entre os Arditi e os Signa Inferre. O modelo é bastante interessante, e a concretização acaba por resultar em pleno, o que torna este vinil 10'' um disco bastante interessante. Expliquemo-nos melhor.

Não é preciso falarmos muito sobre os Arditi - a sua carreira fala por si. As três faixas que assinam neste disco (ou melhor, duas, porque a primeira não é mais do que uma intro) não destoam no resto da sua discografia, mesmo considerando apenas a parte partilhada com a Equilibrium Music (que se iniciou em 2006).

Não serão também das mais brilhantes, talvez por terem caminhado um pouco mais para longe da sua matriz sonora original e terem introduzido elementos mais compassados, composições mais mid-tempo, numa toada que requer algumas audições para percebermos que continuamos a falar do mesmo colectivo Sueco que nos trouxe clássicos como "Marching On To Victory". Talvez "Statues Of Gods" seja o percurso que os Arditi pretendem seguir no seu futuro, mas para o confirmar aguardemos o próximo trabalho em nome próprio.

Já os Signe Inferre são uma muito agradável surpresa. "Invictis Victi Victuri" inicia de mansinho, com uma primeira faixa mais ambiental e etérea, mas é nas duas seguintes que o colectivo Germânico explana todos os seus argumentos. Uma toada marcial intensa e acutilante mesclada com elementos mais neoclássicos e vocalizações sampladas dão-nos uma sonoridade perto do épico (sem ainda conseguir atingir o apogeu, mas veja-se o quão bem resulta em "Deconstructo Creativae", a melhor das seis faixas deste disco) que será certamente refinada, depurada e melhorada em futuros trabalhos. Muito promissor.

Uma aposta acertada da Equilibrium Music, que consegue apresentar uma proposta fresca num panorama algo sobre-populado, acoplada a um nome com créditos firmados, e assim enriquecer o seu catálogo. Na forja estão já trabalhos de longa-duração por cada uma das bandas, previsivelmente a serem lançados pela editora nacional - e, a julgar pelo que temos neste lançamento, serão dois bons discos a ter em conta.

Lurker

sábado, 22 de maio de 2010

[EVENTO] Hoje - La Chanson Noire + Aires Ferreira

Mais logo, na Fábrica de Som no Porto, a partir das 22h - apareçam!