sábado, 21 de abril de 2007

[EVENTO] Negura Bunget + God - Culto Bar, Cacilhas - 16/04

EVENTO: Negura Bunget + God
LOCAL: Culto Bar, Cacilhas
DATA: 16 de Abril de 2007, 23:00

O panorama nacional encontra-se agora recheado de concertos, e apesar de ser inegável a qualidade de muitas das bandas que visitam o nosso território, muitos promotores continuam a apostar em "mais do mesmo". Felizmente que esta não foi uma dessas noites.

Movidos por uma amizade com laços na Roménia, os God moveram "mundos e fundos" para tornar viável a visita dos Negura Bunget a Portugal - não sem uma considerável dose de esforço e dedicação destes últimos. É retemperador perceber que há bandas que continuam a mover-se pelo gosto, e quando essas mesmas bandas conseguem criar uma obra-prima como é OM, bem... pouco mais se poderá dizer para enaltecer a qualidade e a atitude dos Negura Bunget.

O concerto começou com algum atraso (motivado pela longa viagem que os Negura Bunget tiveram que fazer até à Margem Sul) e com uma sala a meio-gás. É certo que era segunda-feira à noite, dia da semana, mas o evento merecia mais do que meia centena de espectadores. E enquanto uma oportunidade como esta não se repetirá certamente num futuro próximo, uma boa noite de sono é sempre possível de obter no dia seguinte...

Mas como só faz falta quem lá está, os God iniciaram as hostilidades com o seu Barbarian Metal recheado de vigor e pujança, convenientemente regado a hidromel. A banda de Castor subiu ao palco preparada para entrar em combate (cotas de malha e martelo-microfone incluídos), e destilou ao longo de pouco menos de 1 hora uma boa parte do seu mais recente trabalho, o EP Hell & Heaven, assim como algumas outras faixas. Nota-se de actuação para actuação o crescente entrosamento dos diferentes elementos, com bons temas a perfilarem-se em catadupa, sempre culminados com uma prestação poderosa de Castor - uma possível encarnação de um guerreiro bárbaro das estepes transilvanas.

Mas os grandes momentos da noite estavam guardados para os Negura Bunget. E, diga-se, não desiludiram. Isto apesar do som do Culto não fazer justiça à complexida sonora dos romenos - a textura criada pelos diversos instrumentos é tão complexa, que seria difícil replicá-la em palco. De qualquer forma, os 6 elementos que subiram ao palco foram tentando passar a magnificiência das suas composições para uma plateia atenta e - ocasionalmente - entusiasta.

Karban liderou o colectivo com as suas sete cordas e vocalizações negras através de paisagens sonoras que tanto nos deixavam perdidos numa planície de suavidade tribal como nos levavam montanha acima num rodopio de velocidade e agressividade. É esta emotividade na sua música que os faz pertencer, em pleno direito, a "outro campeonato". Como diz o meu amigo JP - e muito bem - são os "Opeth do Black Metal". :)

Destaque também para a variedade de instrumentos Folk utilizados ora por Karban ora por Negru, com a performance deste último a revelar-se também um dos pontos altos da noite.

Desde monstruosos instrumentos de sopro, flautas de pan, xilofones ou diferentes percussões, até à simplicidade de martelos numa placa de madeira, parece que os Negura Bunget podem recorrer a virtualmente qualquer instrumento para enriquecer o seu som. E, com isso, criam momentos verdadeiramente únicos na sua prestação ao vivo.

Foram percorrendo ao longo de cerca de 1 hora e meia os seus diferentes trabalhos de estúdio, desde álbuns a EP's, com um alinhamento que certamente agradou a todos os presentes. Claro que muitas mais músicas poderiam ter sido tocadas (pessoalmente, esperava um pouco mais de incidência no referido OM), mas ninguém terá saído do Culto defraudado nas suas expectativas.

Infelizmente o adiantado da hora não nos permitiu permanecer na sala até ao final da actuação dos Negura Bunget, tendo sido os sons da última música da noite a desvanecerem-se na distância a nossa companhia ao encontro do último barco a cruzar o Tejo. Conta quem lá ficou que os romenos finalizaram a noite em beleza, partilhando algumas conversas - e bebidas - com os presentes, o que de facto parece o mais lógico de fazer depois de uma noite mágica.

Depois do dia 16, apetece parafrasear uma das claques do nosso futebol: "Só eu sei, porque não fico em casa"!

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